A deputada estadual, que se manteve silente durante os protestos e o sofrimento dos moradores de Santa Maria Eterna, agora utiliza as redes sociais para faturar politicamente sobre o esforço alheio.
A visita do Governador Jerônimo Rodrigues ao município de Itagimirim, no último final de semana, deveria ser um momento de celebração institucional e entrega de benefícios para a região. No entanto, o que se viu nos bastidores e, principalmente, nas redes sociais, foi um clássico exemplo de oportunismo político protagonizado pela deputada estadual Cláudia Oliveira.
A Memória Curta do Marketing Político
Em suas plataformas digitais, a parlamentar não hesitou em avocar para si a responsabilidade pela assinatura da ordem de serviço para a pavimentação asfáltica do trecho que liga o distrito de Santa Maria Eterna ao município de Belmonte. O que a “estratégia de comunicação” da deputada esquece de mencionar é o histórico de poeira, lama e descaso que a população local enfrentou nos últimos anos. A pavimentação em questão não é um presente caído do céu ou fruto de uma indicação isolada de quem mal pisa na localidade; é, antes de tudo, uma vitória do grito das ruas.

Onde Estava a Deputada?
É preciso refrescar a memória do eleitor: a conquista é resultado direto da articulação incansável do prefeito de Belmonte, Iêdo Elias, em conjunto com vereadores e, fundamentalmente, com os moradores do distrito. Foram esses cidadãos que, cansados do isolamento e das péssimas condições do desvio utilizado durante a interdição da ponte sobre o Rio Jequitinhonha na BR-101, realizaram bloqueios e manifestações para serem ouvidos.
Durante o período crítico, quando a comunidade sofria com a poeira sufocante no sol e o lamaçal intransitável na chuva, o silêncio da deputada Cláudia Oliveira foi ensurdecedor. Não houve visitas, não houve apoio às barricadas populares, nem mobilização pública em favor daqueles que ali residem.
A Tática do “Surfar na Onda”
Agora, com as máquinas prontas para roncar e os convênios assinados, a parlamentar ressurge sorridente nas fotos oficiais, tentando “emplacar” a obra em sua conta pessoal de realizações. Trata-se de uma manobra indelicada que tenta apagar o protagonismo da gestão municipal e da própria resistência popular. “É muito fácil aparecer na hora de assinar o papel e tirar a foto, difícil é estar aqui quando o caminhão atolava e a gente não conseguia respirar com tanta poeira,” desabafou um morador que preferiu não se identificar.
O Eleitor e o “Golpe” da Reeleição
A tentativa de enganar o eleitorado com obras “sem dono” ou de “paternidade roubada” é uma prática velha na política baiana, mas que encontra cada vez menos espaço em tempos de informação em tempo real. Ao tentar garantir votos para sua tentativa de reeleição através de méritos que não lhe pertencem, Cláudia Oliveira subestima a inteligência da população belmontense.
Resta saber se o povo de Belmonte e Santa Maria Eterna, que sentiu na pele o abandono, vai aceitar esse “embrulho para presente” ou se dará o devido crédito a quem realmente esteve na linha de frente da batalha. A política exige coerência; o oportunismo, por outro lado, só exige uma boa câmera e total ausência de memória.