Ex-diretora de presídio faz delação, detalha fuga de detentos em Eunápolis e expõe relação com ex-deputado

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, firmou acordo de delação premiada e apresentou detalhes sobre a fuga de 16 detentos da unidade, além de relatar supostas ligações com o ex-deputado federal Uldurico Júnior e negociações com um líder de facção criminosa. As informações fazem parte de depoimento obtido pelo site Bahia Notícias.

A colaboração foi formalizada após audiências virtuais realizadas em 15 de dezembro de 2025 e 22 de janeiro de 2026, com participação da Defensoria Pública da Bahia e do Ministério Público. O acordo foi concluído em 5 de fevereiro deste ano.

No depoimento, Joneuma afirmou que deveria detalhar esquemas criminosos, apresentar provas e identificar outros envolvidos. Em contrapartida, o acordo prevê pena total de seis anos, com redução de dois terços da pena máxima. Desse total, um ano será cumprido em regime fechado e o restante em regimes semiaberto e aberto. O Ministério Público também pode incluí-la em programa de proteção a testemunhas.

Segundo a delação, a ex-diretora conheceu Uldurico Júnior por meio da deputada estadual Claudia Oliveira, quando ainda atuava em unidade prisional em Teixeira de Freitas. Ela relatou que o ex-deputado frequentava o local para reuniões com detentos, acompanhado de aliados políticos.

As investigações apontam que, ao assumir a direção do presídio de Eunápolis em março de 2024, Joneuma teria passado a atender solicitações do ex-deputado, autorizando a entrada de itens como eletrodomésticos e alimentos diferenciados para presos.

Ainda conforme o depoimento, acordos iniciais envolviam apoio político por meio de eleitores ligados a detentos. Após a derrota eleitoral de Uldurico Júnior em 2024, o cenário teria evoluído para um acordo financeiro de R$ 2 milhões com integrantes de facção criminosa para facilitar a fuga.

A fuga ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, quando 16 detentos escaparam após abrir passagem pelo teto de uma cela. A ex-diretora foi afastada do cargo dias depois, exonerada em janeiro de 2025 e presa posteriormente.

Mensagens obtidas pela investigação indicam que Joneuma demonstrou preocupação após o caso e manteve contato com o ex-deputado. Ela também relatou ameaças e afirmou que ambos alinharam versões para depoimentos.

O caso segue sob investigação, com análise de provas e desdobramentos a partir da delação premiada.